sábado, 28 de dezembro de 2013

Pequenos seres, grandes impactos

     Príons  são agentes  infecciosos  compostos  somente  por proteínas  e que possuem capacidade  de  auto­replicação,  modificando  o  metabolismo  celular  para  isso. Essas proteínas podem  surgir  no  organismo  através  da  ingestão  de  alimentos  infectados, mutação  de  genes, transplante  de  membranas  meníngeas  contaminadas  ou  através  da utilização  de  material cirúrgico contaminado.
      No  organismo  do  ser  humano,  os  príons  podem  ser  fortemente  influentes  causando as chamadas doenças priônicas, que são fatais. Um dos fatores que explica isso é a resistência de príons a processos rotineiros de descontaminação para vírus e bactérias.
     As  doenças  priônicas  são  neurodegenerativas,  dentre  elas  podemos  citar  a  doença de Creutzfeldt-­Jakob, a síndrome de Gerstmann-Sträussler-­Scheinker e a insônia familiar fatal. Além disso, estudos recentes registraram a influência de príons  sobre o risco do desenvolvimento da doença de Alzheimer.
     Um dos sintomas causados pela infecção de príon é demência, ataxia, insônia, paraplegia, entre  outros.  Apesar  de  cada  doença  ter  sua  etiologia  e  sintomas  característicos, alguns  são compartilhados.

Referências
González, T. R.; Jarque, M. V. Prion diseases. MEDISAN, v. 13 (1), p. 0­0, 2009.
Araujo, A. Q­C. Prionic diseases. Arquivos de Neuro­Psiquiatria, v.71 (9B), p. 731­737, 2013.
Caramelli,  P.  O  gene  da  proteína  priônica  na  doença  de  Alzheimer.  Arquivos  de  Neuro­ Psiquiatria, v. 71 (7), p. 423­427, 2013.
Lupi, O. Prionic disease: evaluation of the risks involved in using products of bovine origin. Anais Brasileiros de Dermatologia, v. 78 (1), p. 7­18, 2013.
Desenvolvimento de casos clínicos para aplicação no ensino de biologia celular e molecular para medicina. http://www.uff.br/gcm/GCM/atividades/lidia/prions.pdf.  Acessado  em  21  de  dezembro de 2013.

sábado, 21 de dezembro de 2013

Existe um fator genético para a obesidade?

O aumento contínuo nas taxas de incidência de pessoas com excesso de peso nas últimas décadas fez com que a obesidade atingisse proporções epidêmicas e se tornasse alvo de pesquisas. Hoje sabe-se que esta é uma doença multifatorial, mas que existem fatores intrínsecos que se correlacionam com o sistema endócrino.1,2,3
O tecido adiposo não é um tecido inerte, seu metabolismo é ativo e funciona como tecido endócrino produzindo adipocinas que levam a produção de leptina (LEP). A leptina é um hormônio peptídeo anorexígeno, considerado o eixo do complexo sistema de regulação do balanço energético do organismo. No contexto fisiológico de saciedade, a leptina alcança o cérebro e age nos receptores hipotalâmicos reduzindo o apetite e a síntese de lipídeo. Concomitantemente, a noradrenalina (hormônio do sistema nervoso autônomo) age nos adipócitos ativando β-oxidação e aumentando o número de termogenina na membrana mitocondrial interna, com o intuito de aumentar o gasto energético e gerar calor. Resumidamente, a regulação do peso corporal é esse efetivo contrabalanço entre ingestão energética e o seu gasto.1
Segundo pesquisas, o gene OB está relacionado com a produção adequada da leptina, sendo que a homozigose recessiva (ob/ob) desse gene leva a fenótipos com sobrepeso quando comparados a homozigose dominante (OB/OB). O gene, com três éxons e dois íntrons, localiza-se no cromossomo 7q31.3. Possui, na região promotora, sítios como TATA box e elementos responsivos a proteínas ligadoras ao amplificador CCAAT/enhancer binding protein(C/EBP), elemento responsivo a glicocorticóides (GRE) e elemento responsivo ao AMPc (CRE). A proteína tem 167 aminoácidos (16 KDa). Vários tecidos, além do adiposo, expressam LEP, como placenta, adeno-hipófise. Entretanto a maior ou menor produção da leptina está diretamente relacionada à massa de tecido adiposo, pois os seus níveis circulantes estão mais diretamente relacionados à quantidade de seu RNAm neste tecido. Além desse fator genético para o sobrepeso, pode ocorrer também em pessoas obesas uma maior resistência dos receptores de leptina (OB-R), o que leva a um maior acúmulo de lipídeo.2
Acredita-se que a leptina esteja até mais relacionada a um mecanismo de proteção contra a adipotoxicidade provocada pelo excesso de triacilgliceróis no citosol em células que não são adipócitos. Células com excesso de gordura intracelular podem sofrer apoptose e há evidências experimentais que relacionam certas formas de diabetes mellitus com o aumento do conteúdo intracelular de lipídeos.4
Por mais que a síntese de leptina seja um fator importante para a regulação do peso corporal há também outros fatores que interferem na obesidade como as mudanças do perfil de atividade física da população e disseminação de atividades sedentárias, devido à modernização dos processos produtivos e o maior acesso à tecnologia.3,4

Referências
1  Nelson, D.L. ; Cox, M.M.; Princípios de Bioquímica de Lehninger, terceira edição, 2002.
2 Alaniz, M.H.F.; et al;, O tecido adiposo como órgão endócrino: da teoria à prática, J. Pediatr. (Rio J.) vol.83 no.5 suppl.0 Porto Alegre Nov. 2007.
3 Sartorelli, D.S; Franco, J.F.; Tendências do diabetes mellitus no Brasil: o papel da transição nutricional; Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, 19(Sup. 1):S29-S36, 2003.
4 Júnior, J.D. ; Pedrosa, R.G.; Tirapegui, J.; Aspectos atuais da regulação do peso corporal: ação da leptina no desequilíbrio energético, Revista Brasileira de Ciências Farmacêuticas Brazilian Journal of Pharmaceutical Sciences, vol. 40, n. 3, jul./set., 2004.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

O poder da cafeína

     O café é uma das bebidas mais consumidas no mundo, especialmente por estudantes que estão desesperados com a matéria que precisa ser estudada. O problema é que muitos não sabem os males que o excesso de café pode causar quando consumido por certo tempo.
    Estudos mostram que o café pode ter efeitos surpreendentes sobre o organismo, tanto bons quanto ruins. Recém-nascidos de mães que consumiam café com mais frequência são, geralmente, um pouco mais leves que os de mães que não consomem tanto café. Além disso, também há registros de retardo no crescimento intra-uterino. Mas nada que seja alarmante...
   A cafeína mostrou-se indiferente na oxidação de lipídeos em adolescentes do sexo masculino. Quando comparados, após certo tempo de exercício, não se notou diferença nesse quesito, porém os jovens que ingeriram bebidas descafeinadas permaneceram menos tempo realizando exercícios em comparação com os que ingeriram cafeína, apesar de não ser significante.
    Outro estudo associando a cafeína ao cigarro mostrou que essa dupla interfere no processo de reparação óssea em ratos que receberam implantes de hidroxiapatita densa. Além disso, já se tem dados de que o café prejudica a absorção de ferro e cálcio.
  Contudo, há comprovação de que o café é benéfico, pois melhora a memória, diminui fatores de risco para o diabetes mellitus tipo 2 e doenças hepáticas, além de prevenir doenças neurodegenerativas, como a doença de Parkinson.

Referências
1.Santos, I. S.; Victora, C. G.; Huttly, S.; Morris, S. Consumo de cafeína na gravidez e desfechos 
perinatais. Cadernos de Saúde Pública; 14(3): 523-530, 1998.
2.BrunettoI, D.; RibeiroII, J. L.; FayhIII, A. P. T. Efeitos do consumo agudo de cafeína sobre 
parâmetros metabólicos e de desempenho em indivíduos do sexo masculino. Revista Brasileira de 
Medicina do Esporte; 16(3): 171-175, 2010.
3.Andrade, A. R.; Sant'Ana, D. C. M.; Mendes Junior, J. A.; Moreira, M.; Pires, G. C.; Santos, M. P.; 
Fernandes, G. J. M.; Nakagaki, W. R.; Garcia, J. A. D.; Lima, C. C.; Soares, E. A. Os efeitos do cigarro 
e do consumo de café sobre a formação óssea e a integração óssea de implantes de hidroxiapatita. 
Brazilian Journal of Biology; 73(1): 173-177, 2013.
4.Prada, R.; Mayrene, D. Coffee, Caffeine vs. health review of the effects of coffee consumption in 
health. Revista Universidad y Salud; 12(1): 156-167, 2010.

sábado, 7 de dezembro de 2013

Efeito do nitrato na hipertensão arterial

A hipertensão arterial é caracterizada como uma doença crônica, sendo uma das causas de maior morbidade e mortalidade. Seus principais fatores de risco são considerados como alteráveis, como por exemplo, o modo de vida, o tabagismo, sedentarismo, alimentação e etc. Seu tratamento consiste em mudança no estilo de vida e medicamentos anti-hipertensivos.
O óxido nítrico (NO) é uma das principais moléculas envolvidas na regulação da pressão arterial. A síntese de óxido nítrico no corpo humano pode ocorrer a partir de nitrito (NO2-), e este, por sua vez, pode ser obtido a partir do nitrato (NO3-). Há diversos estudos mostrando que a suplementação de nitrato na dieta pode contribuir para o controle da pressão sanguínea. Fontes naturais de nitrato são legumes, vegetais folhosos e beterrabas. É interessante notar que o nitrato é convertido em nitrito por ação de bactérias anaeróbicas presentes na superfície da língua.
Uma pesquisa recente mostrou o efeito da suplementação de nitrato no combate à hipertensão. Neste estudo, doze idosos saudáveis entre 60 e 70 anos tiveram sua dieta complementada com suco de beterraba concentrado, rico em nitrato, por três dias. Ao analisar seus resultados, observou-se que os indivíduos que usaram esse complemento tiveram um aumento significativo de nitrito no plasma, reduzindo a sístole em repouso.
Assim, concluiu-se, neste estudo, que a suplementação de nitrato na dieta reduziu a pressão sanguínea e melhorou o volume de oxigênio durante uma caminhada.

Referências
Borges H. P. et al. Associação entre hipertensão arterial e o excesso de peso em adultos, Belém, Pará, 2005. Arq. Bras. Cardiol., v. 91(2), p. 110-118, 2008.
Kelly J. et al. Effects of short-term dietary nitrate supplementation on blood pressure, O2 uptake kinetics, and muscle and cognitive function in older adults.